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LINFA

há 4 horas
2 min de leitura

Exposição aconteceu na Galeria durante o IX EACC, seguindo até o dia 29 de outubro.


Leia o texto curatorial:

  A tatuagem é uma das formas de expressão mais antigas da humanidade, atravessando povos, culturas e territórios. Historicamente ligada à ancestralidade, à crença, ao pertencimento e à resistência, teve seus significados transformados diante dos corpos que a carregam e dos olhares que os julgam.

     Na atualidade, sua popularização e comercialização contrastam com os estigmas que ainda a cercam. Entre a mercantilização da imagem e o apagamento de suas raízes, a tatuagem permanece um campo de disputa sobre o corpo, a identidade e o direito de existir fora das normas impostas.

    Nesse espaço surge Linfa, uma exposição que reúne duas artistas cujas trajetórias são atravessadas pela arte de marcar a pele. Para além da estética, a exposição propõe pensar a tatuagem como linguagem, memória e resistência, reconhecendo no corpo um território de expressão e autonomia. 

    Em suas singularidades, as artistas tensionam narrativas dominantes e reivindicam outras formas de ocupar, narrar e significar o mundo.

    Assim como a linfa percorre e nutre os organismos, as marcas atravessam corpos e histórias, mantendo vivos saberes, identidades e formas de resistência que permanecem.


Conheça LNR (Lenore):

Lenore, nome por trás da pessoa que assina LNR y Seja Marginal, Seja Trans, é tatuadora, pixadora y multiartista nascida y residente no bairro Bom Jesus, periferia da Zona Leste de Porto Alegre. Sua trajetória começa junto com o descobrimento do movimento punk y skinhead antifascista, onde com 13 anos começou a desenhar capas de albuns clássicos do underground nacional. 

Alguns pontos chaves de sua trajetória estão em 2019, quando foi aprendiz no estudio Mandala Art Tattoo y aprendeu a tatuar nas modalidades de dotwork y blackwork y, também, em 2023 quando, anos depois de se descobrir trans, encontrou no Pixo (somando na fundação da crew de pixação kuir TRGS/Trans.Gressäo) a autoafirmação y autoestima de sua identidade travesti y o amor pela caligrafia y pelo lettering, trazendo as influências tanto da cena Punk y Skinhead Antifascista quanto do Pixo para a tatuagem.

Se para Sergio Vaz a arte não deve embalar os adormecidos mas despertá-los, aqui a arte não deve dialogar com o status quo, mas destruí-lo - sendo ferramenta de acolhimento, identidade y autoestima para toda y qualquer existência dissidente.


Conheça Índia:

Meu nome é Fernanda Barros, mas todos me conhecem como Índia. Sou tatuadora desde 2019, também trabalho com piercing, construo minha trajetória através da arte, da rua e da cultura underground.


Tenho meu próprio estúdio privado, onde compartilho o espaço e a vivência artística com a tatuadora Dália, que também constrói sua trajetória na tatuagem e pode ser encontrada no Instagram como @daliaf.tattoo. Juntas, fazemos desse espaço um lugar de criação, troca e liberdade artística.


Vivo da minha independência artística, fazendo da arte não apenas meu trabalho, mas também meu estilo de vida. Minha caminhada é movida pela liberdade de expressão, pela autenticidade e pela resistência de quem escolhe trilhar seu próprio caminho fora dos padrões convencionais.


Para mim, o underground não é apenas uma estética, mas parte da minha vivência e da maneira como escolhi me expressar no mundo. Entre tatuagens, piercings e pixos, sigo construindo minha identidade, vivendo da minha arte e valorizando a liberdade de criar sem precisar me encaixar em padrões.

 
 
 

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Av. Copacabana, nº 100 - Bairro Piratini, 93216-120 Sapucaia do Sul/RS

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