2019 

Redesenhando Alvorada

Alvorada é uma daquelas cidades que “não tem nada”.  Daquelas que a mídia insiste em dar visibilidade quando o assunto é crime e violência, e os próprios moradores acabam quase convencidos de que a cidade é menos. A exposição de Pablito Aguiar foi um convite a conhecer Alvorada, a andar por entre suas gentes: de vendedores de algodão doce, picolezeiros, catadores de papel, a mulheres levando filhos à escola. A experiência envolveu um caminho, como o percorrido pelo artista em busca de um cenário para ilustrar um cartão postal de sua cidade, que serve de pano de fundo para uma trajetória também composta de sons do cotidiano. O artista trouxe, ainda, quadrinhos incríveis desenhados a partir de histórias de vida de Alvoradenses. Tudo real, todos reais, e de uma beleza que só a vida não idealizada, de uma cidade não cenário, pode trazer. A(o) visitante, ao conhecer Alvorada, se reconheceu, se percebeu como um daqueles personagens, ou relembrou das pessoas de sua própria cidade, dos seus invisíveis... do pôr do sol que não vê.  Muito provavelmente saiu de lá não só com outra percepção de Alvorada, mas da sua própria cidade e, assim, de si. A exposição ficou aberta para visitações entre o dia 23 de abril a 21 de maio de 2019.

MRCZ Tropicália, Dadaísmo e Expressão

A exposição MRCZ Tropicália, Dadaísmo e Expressão teve sua abertura no dia 06 de junho e esteve aberta para visitação até o dia 09 de agosto de 2019. O artista Marcos Coelho traz em sua exposição individual obras da série Tropicália, onde cada obra recebe um momento interativo em relação às músicas do artista em questão. 

Picar, recortar, mixar

Lá de outros tempos,

tão sentidos

e sem sentido.

Dos anos dez, anos sessenta

desses tempos

Non sense.

Arte

pegar o jornal, o real

e o violão

picar tudo e recolar,

regravar

sem sentido.

Porque fazer sentido

É compreender guerra, ditadura,

padrões, imposições. 

Posições de sentido

que não têm sentido.

Mudar, alterar,

criticar e brincar

Repropor

bossa, rock,

psicodelia

disrupção

em colagens

É o Dada na Tropicália

que chega pra nos salvar.

Histeria

Nos comerciais da televisão, em conversas na mesa do bar, nos cartazes colados em muros. De forma cotidiana em espaços como estes a sociedade reproduz ideias e atitudes que objetificam a mulher e naturalizam violências sexuais, ou seja, contribuem para a criação da cultura do estupro. Histeria é de produção e realização própria da Galeria Experimental – galeria de arte situada no IFSul Câmpus Sapucaia do Sul. A exposição aconteceu na Galeria em 2016 e, agora, sua segunda edição foi realizada no VI Congresso Latino-Americano de Gênero e Religião da Faculdades EST, em São Leopoldo, entre 14 a 17 de agosto de 2019. A concepção da exposição Histeria surgiu tanto em repúdio ao estupro coletivo no Rio de Janeiro, em maio de 2016, quando 33 homens abusaram sexualmente de uma jovem de 16 anos (https://bit.ly/2CyfC7m), quanto e ao mesmo tempo, do descrédito na dita luta das 750 mil pessoas que mudaram sua foto de perfil do Facebook em apoio à campanha “eu luto pelo fim da cultura do estupro”. Envolvendo duas salas temáticas, a exposição é pensada a partir de acontecimentos como este, de mulheres consideradas culpadas por serem agredidas e violentadas, do medo que sentem da na rua, da ideia de que vestir pouca roupa é pedir para ser abusada física e verbalmente, da ideia de que reagir a tudo isso é Histeria. Junto com a exposição Histeria, a EST traz para o VI Congresso Latino Americano de Gênero e Religião o seu Mapa do Assédio. Na primeira versão da exposição Histeria, no IFSul, a ação identificou haver assédio dentro dos muros da escola. Do Espaço de Ideação, o qual recorreu a sessões de design thinking para propor uma ação coletiva quanto à cultura de violência contra a mulher, surgiu a ideia de fazer algo que evidenciasse que o assédio está em todo lugar, em no nosso espaço também. Assim foi concebido o Mapa do Assédio.

O Percurso da Linha

Quase livre, quase vida, ela segue, desliza, e se tece. Com arame,  tinta e pincel, mãos modelam a anatomia de um traço, numa linha que parece viva. Formas vão se (in)definindo. O aço, fio, quase selvagem, se deixa moldar, em corpos singulares, que se abrem às possibilidades de identidades outras, ora dela, ora nossa, como um reflexo. Uma linha em construção, moldando, quiçá um passado, um estado, que é, ou que foi. Uma carcaça abandonada, de um tempo, um corpo, que mudou, que agora veste outro momento. A mesma linha, mesmo arame, mesma vida, que se liberta, resistindo em ser formatada, em ser definida e imobilizada; ela se desmancha, desfaz o feito, resiste, evidenciando a possibilidade autônoma do por vir, do que ainda pode ser dessa linha, da vida, adiante.

Na tela, o fio, o palito, direciona, abre caminho, possibilita o percurso.  Obedece o ímpeto de vida dela, da tinta, da linha. Artérias, raízes, sustentam, refazem esse fio, vivo, que não para, que vai por entre, por tudo, e trama, a vida.

O Percurso da Linha, exposição individual da artista Silvia Rodrigues, aconteceu entre os dias 10 de setembro a 17 de outubro de 2019. A exposição também contou com o evento Puxa Papo com Silvia Rodrigues, realizado no dia 02 de outubro.

SoulArtista (2ª versão)

A exposição SoulArtista abriu uma nova temporada para a Galeria Experimental. Inspirada na diversidade de artistas e, com eles e elas, de técnicas, tons e temas, aderimos, nós também, às cores. A entrada em branco respingada de vermelhos, amarelos, azuis e verdes abriu essa exposição colorida de traços e conceitos que expressam a diversidade de vivências e perspectivas desses jovens artistas. Os 12 jovens artistas são resultado do IV Encontro de Arte, Cultura e Cidadania, onde participaram 72 jovens artistas de 10 a 28 anos de idade e 12 foram escolhidos como destaque, a partir da votação de juri técnico e popular. A exposição foi realizada entre 22 de outubro a 14 de novembro de 2019.

 

Foram 12 artistas diferentes unidos no ímpeto de se expressar e na coragem de expor suas obras e, através delas, também um pouco de si. Cada um no seu espaço, mas todos misturados, como estão no mundo. Uns estudam arte na faculdade; outros a rabiscam durante aulas de matemática ou de história ainda no fundamental; uns no lápis de cor, outros no nanquim; uns criam super heróis, outros falam de amores, e desamores. Teve Frida Kahlo em poema e em canetinha; teve traçados femininos de celebridades, e da beleza na pele manchada que descontrói padrões; teve traços masculinos de peito aberto e coração na mão. Ao fundo, um céu, um horizonte, uma chuva colorida numa tela grafitada que ilumina todos e cada um, numa aura de boas energias, como quem quer orientar, janela afora, que sigam, que sigamos, nela, na vida... e na arte.

 

A ideia foi proporcionar a esses(as) artistas sua primeira experiência numa galeria. A pretensão, assim, é colaborar para despertar neles e nelas a autoestima de artista, tantas vezes enfraquecida pelos padrões, valores e pressões do cotidiano. O nome “SoulArtista” brinca com o “sou” artista e com “soul”, que é alma em inglês; porque artista tem alma de artista e artista na alma. É, portanto, um SOULARTISTA. Entramos, enfim, nesse unidiverso de cores e sentidos da segunda edição do SoulArtista para apreciar e celebrar a arte desses e dessas artistas e reivindicar que continuem a deixar sua SoulArtista nos brindar e energizar com isso que é uma necessidade humana, não só para que tem alma de artista, mas para quem só tem a alma e precisa que artistas produzam isso que alimenta nossa vida: a arte.

Obrigada, SoulArtistas.

Nadismo

Durante os dias 29/11 a 18/12 a Galeria Experimental esteve aberta com a intervenção Nadismo para que todas e todos pudessem desfrutar de momentos de genuíno Nadismo.

A intervenção Nadismo acontece todos os anos. Esse ano, o ambiente tem mais redes, mais plantas, mais claridade e mais cores, porque a gente da Galeria acha que chega de sombra, de penumbra, e de escuridão. Nossas vidas, nossas mentes, estão precisando de luz, de cor e de paz.

A experiência foi individual, cada um na sua, cada um numa rede, num colchonete, numa almofada, aproveitando o ambiente para relaxar o corpo e para limpar os pensamentos... Nem que seja por alguns instantes. O desafio é conseguir não fazer nada, afinal “Nadismo” é a arte de desfrutar momentos sem fazer nada.

O Nadismo foi nossa maneira de dizer a todas as pessoas dessa comunidade que merecemos alguns instantes de descanso e de relaxamento bem no meio da pressão de fim de ano. Foi nosso presente e nosso jeito de desejar a todos e a todas um 2020 também de paz, de cor e de luz.