Homem não chora
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Abertura da exposição ocorrerá nesta quarta-feira (13/05) às 19h15.

A Galeria Experimental convida todos para a abertura da exposição "Homem não chora" que ocorrerá nesta quarta-feira (13/05) às 19h15.
Leia abaixo o texto curatorial da exposição:
Todos os dias, na rua, nas redes sociais, nos jornais, na TV. Em casa. Mulheres deparam-se com vozes machistas de violência. Sejam elas direcionadas e assumidas ou comentários que lhes escapam, homens sentem-se autorizados, pelo lugar que ocupam na sociedade misógina em que vivemos, a agredi-las.
A rotina da mulher é circular, viver e sobreviver apesar de tudo lhes atinge. Falas e gestos que representam uma maneira de ver o mundo, uma maneira de enxergar mulheres. Um desejo de tê-las, submetê-las, subjugá-las e, se assim não for: machucá-las e até matá-las.
Mulheres choram, sangram.
Homem não chora.
A exposição “Homem não chora” de Ana Flores traz essas falas representadas em camisas. Culturalmente, afinal, assim a sociedade o designa, mulheres vestem saias e vestidos, homens, camisas.
A artista usa camisas usadas, gastas, vividas. Borda nelas, pelas costas, as falas. Todas verbalizadas de fato. Todas cerzidas no pano como o estão na pele, no ser macho, ou machista.
A ambientação faz mulheres e homens percorrerem o inevitável. Deparar-se, esbarrar com esses seres, essas vozes gritando a misoginia que representam
Elas, mulheres, que se sintam reconhecidas e representadas no SEU CHORO, na sua dor. Na agonia e no risco que é viver por entre a violência. Na coragem necessária para seguir, apesar do medo, do desconforto, do choro. Dos homens.
Eles, que, desconfortáveis, reconheçam a si e aos seus como aqueles que, por serem homens, talvez não possam chorar. Mas que podem, e fazem, lacrimejar, sangrar: a alma, a moral e o corpo feminino.
Conheça a artista Ana Flores:

Ana Flores (Porto Alegre/RS, 1962). Bacharel em Artes Plásticas p
elo Instituto de Artes da UFRGS (1999/2002), onde foi professora do Departamento de Artes Visuais (2005/2006). É mestre em Design pela Escola de Engenharia e Arquitetura da UFRGS (2010/2012). Recebeu prêmio viagem no III Salão de Arte Postal, Casa 26, Porto Alegre/RS e Ball State University, Muncie, Indiana, EUA, em 1999; Prêmio Açorianos – Destaque em Cerâmica, com a individual Um Dia Entre Abril e Junho, Porto Alegre, em 2010. Participou da 10ª Bienal do Mercosul (2015) e da exposição Queermuseu (Porto Alegre/2017 e Rio de Janeiro/2018). Entre 2015 e 2019, desenvolveu pesquisa em Arteterapia com adolescentes infratores na FASE/RS. Em 2021, participou do Festival Arte como Respiro, do Itaú Cultural; em 2022-2023, da exposição Fora das Sombras, no MON (Curitiba/PR) e da exposição Pisando em Ovos, na Fundação Ecarta (Porto Alegre/RS). Obras em acervos: MARGS, MAC/RS, Pinacoteca Barão de Santo Ângelo/IA-UFRGS e Fundação Ecarta, Porto Alegre/RS; Museu Alfredo Andersen, Curitiba/PR; entre outras instituições culturais.



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