Do cotidiano aos espaços de arte: Galeria Experimental traz discussão sobre cultura do estupro

Atualizado: 21 de Abr de 2020

Exposição Histeria marca presença no VI Congresso Latino-Americano de Gênero e Religião da Faculdades EST. Vem saber mais!


Nos comerciais da televisão, em conversas na mesa do bar, nos cartazes colados em muros. De forma cotidiana em espaços como estes a sociedade reproduz ideias e atitudes que objetificam a mulher e naturalizam violências sexuais, ou seja, contribuem para a criação da cultura do estupro. Histeria é de produção e realização própria da Galeria Experimental – galeria de arte situada no IFSul Câmpus Sapucaia do Sul. A exposição aconteceu na Galeria em 2016 e, agora, está sendo realizada no VI Congresso Latino-Americano de Gênero e Religião da Faculdades EST.


Histeria vem do grego histerus, que significa útero. O termo histeria foi usado por Hipócrates para se referir a um movimento irregular de sangue do útero para o cérebro, que explicaria um estado de perturbação mental em mulheres. Na Idade Média, este tipo de distúrbio estava relacionado a possessão e a feitiçaria. Mulheres ”histéricas” eram lançadas à fogueira ou exorcizadas. Em épocas posteriores, estavam sujeitas à maldição do ridículo; seu estado era tido como simulação e exagero. Hoje em dia, embora a psiquiatria tenha abandonado o termo, o adjetivo ainda é muito utilizado para se referir a um comportamento de descontrole em mulheres.


Será que fazer ouvir a voz, impor-se e lutar por uma sociedade justa e igualitária na dimensão de gênero é histeria?


A concepção da exposição Histeria surgiu tanto em repúdio ao estupro coletivo no RJ, em maio de 2016, quando 33 homens abusaram sexualmente de uma jovem de 16 anos, quanto, e ao mesmo do descrédito na dita luta das 750 mil pessoas que mudaram sua foto de perfil do facebook em apoio à campanha “eu luto pelo fim da cultura do estupro”.


Envolvendo duas salas temáticas, a exposição é pensada a partir de acontecimentos como este, de mulheres consideradas culpadas por serem agredidas e violentadas, do medo que sentem da na rua, da ideia de que vestir pouca roupa é pedir para ser abusada física e verbalmente, da ideia de que reagir a tudo isso é Histeria. A Cultura do estupro está presente dentro e fora de casa, nas ruas e na nossa sala. No brasil, a cada 11 minutos uma mulher é estuprada. O espaço de sensibilização convida as pessoas a uma imersão nessa realidade, buscando evidenciar que a objetificação da mulher como produto de consumo masculino dá-se em várias formas. Já o espaço de ideia-ação inspira-se nos princípios do design thinking para convocar visitantes a projetar uma ação concreta, para além de banners de facebook, na luta coletiva contra esta cultura.


Histeria é o que Galeria Experimental propõe.


Junto com a exposição Histeria, a EST traz para o VI Congresso Latino Americano de Gênero e Religião o seu Mapa do Assédio. Na primeira versão da exposição Histeria, no IFSul, a ação identificou haver assédio dentro dos muros da escola. Do Espaço de Ideação, o qual recorreu a sessões de design thinking para propor uma ação coletiva quanto à cultura de violência contra a mulher, surgiu a ideia de fazer algo que evidenciasse que o assédio está em todo lugar, em no nosso espaço também. Assim foi concebido o Mapa do Assédio.



A exposição se encontra no Prédio H da Faculdades EST (Rua Amadeo Rossi, 467 - bairro Morro do Espelho, São Leopoldo/RS) e está aberta para visitações durante o VI Congresso Latino-Americano de Gênero e Religião, de 15 a 17 de agosto de 2019.

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